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Escrito por Ronaldo às 00h05
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Depoimento de Jamari França

James Hetfield - Fotos de M.Rossi/Divulgação

"Saí do Morumbi à meia-noite de sábado em êxtase total depois de duas horas submetido ao rolo compressor nuclear do Metallica. As 60 mil pessoas que lá estiveram comigo sentiram a mesma coisa, os comentários do lado de fora eram recheados com todos os palavrões exaltantes do idioma pátrio. A platéia pagou caro, mas o dinheiro valeu, foi diversão pura, a começar pelas “olas” que as arquibancadas fizeram antes do show, indo e voltando várias vezes. O Sepultura deu o sangue no show de abertura, mas esbarrou no som de merda que as bandas recebem nestas ocasiões. Mesmo assim o público curtiu e não se ouviu os gritos pedindo a atração principal, como quase sempre acontece.

Parece que entrei em comunicação cósmica com James Hetfield porque ele brindou a platéia com uma versão demolidora da apocalítica “Blackened”, muito, mas muito superior mesmo à do álbum ... And Justice For All”. No refrão, quando ele gritou “FIRE” chamas enormes subiram aos céus, levando muitos que estavam perto do palco a dar pulos para trás de susto. Agüentei firme mas juro que minha barba fedeu queimado. Never mind, valeu a pena pela versão definitiva desta canção, perfeita para os dias de hoje, em que estamos maltratando o planeta de tal jeito que ele já está se voltando contra nós.

A performance da banda é impressionante: virulência, precisão e uma velocidade supersônica que nada ficou devendo à dos seus primeiros discos. Os fãs de primeira hora que se queixaram de eles terem perdido o gás no álbum preto hoje estão plenamente reconciliados com a banda. O vigor é o mesmo, mas numa escala infinitamente maior por conta da experiência adquirida em 27 anos de estrada.

 

                                                                              Thor Lars Ulrich

Pouco antes de começar fui lá para o meio da muvuca da pista VIP para poder apreciar o telão de altérrima definição e 20 metros de largura por não sei quantos de altura. Me dei mal. Quando entrou o trecho do filme “The Good, The Bad And The Ugly" em que Eli Wallach sai correndo atrás de uma sepultura recheada de ouro, a platéia toda cantou os ôôôs do tema e 300 mil pessoas foram para onde eu estava. Fiquei esmagado. Daí banda ataca entra com a potência da explosão nuclear sobre Hiroxima e os graves dos subwoofers me atingiram como se um caminhão desabasse em cima de mim. Meus tímpanos castigados por cinco décadas de overdose de rock’n’roll pediram arrego. Para completar alguns alucinados na minha frente começaram a pular e se trombar, enquanto outros jogavam cerveja para cima. Levei um tranco que meu bloco foi parar no chão e a caneta desmontou na minha mão.

Tudo isso enquanto a banda mandava “Creping Death,” a história da praga final que matou todos os primogênitos do Egito mandada por Jeová para convencer o faraó a libertar os hebreus (Que Deus todo poderoso, criador do Universo, precise mandar uma praga para um faraó de merda fazer o que Ele quer me escapa à compreensão, anyway, assim está na Bíblia).

Robert Trujillo



Ainda agüentei a segunda música, a igualmente devastadora “For Whom The Bell Tolls”, sobre uma batalha sangrenta. Quando emendaram com "The Four Horsemen", sobre as bestas do apocalipse, quem se sentiu no juízo final fui eu. Além da surra sonora não conseguia ver a banda, de tanta gente na frente, só o telão. Durante "Harvester of sorrow" pulei fora. Livre do sufoco, no lado esquerdo do palco, pude finalmente ver a banda, menos Lars Ulrich, a encarnação metal do deus do trovão nórdico Thor (ele é daquelas bandas). Só não via James quando ele subia para a plataforma superior e foi de lá que ele começou “Fade To Black” num violão sobre um pedestal e a guitarra em posição, para poder mudar rapidamente de instrumento. O lirismo inicial dá lugar a mais uma execução devastadora. “São Paulo, vocês sentem? Vocês sentem como eu?” disse James antes da música, que fala de desilusão com a vida.

Hetfield usa seis microfones em diferentes partes do palco para ficar mais perto do povo. Um em cada ponta, três na parte central e um na parte de cima. O baixista Robert Trujillo e o solista Kirk Hammett também marcam presença nas laterais, o que provoca correrias de gente querendo fotografar.

O módulo com canções do mais recente álbum “Death Magnetic” foi executado de maneira igualmente magistral, com “That Was Just Your Life,” “The End Of The Line” e “The Day That Never Comes.” Aí para atiçar o povo, mandaram o megahit “Sad But True:” “Dedicamos esta música a nossos amigos do Sepultura. Eles sabem e nós sabemos que o Brasil gosta do pesado. Vocês querem pesado: Metallica dá o pesado a vocês.”

O estádio canta junto e, ao final, James se agacha, vira a guitarra de cabeça para baixo para uma caixa e desafina as cordas. Em seguida volta à Morte Magnética com “Broken, Beat And Scarred,” dedicada à “família Metallica de São Paulo que sempre esteve conosco por tempos difíceis e tempos bons como esse agora.”

Chegou a hora da efeméride de fogos, explosões, fogos de artifício por bons minutos, com direito a sustos para seguranças que estavam perto do palco. É a vez da horrorível “One” sobre um soldado mutilado que deseja a morte, as guitarras metralhando com auxílio de luzes estroboscópicas e a parafernália de efeitos. Uma maneira eficaz de mostrar os horrores da guerra.

 

Kirk Hammett e sua guitarra "Noiva de Frankenstein - Karloff"



“Master of Puppets,” a canção seguinte tem uma execução longa e demolidora, com o tema que tem tudo a ver com “One,” desta vez é o senhor que manda os soldados para a morte enunciando seu código implacável. A citada “Blackened” veio a seguir na mesma sintonia e, depois de tanta brabeira, “Nothing Else Matters,” nada mais importa, megasucesso do álbum preto, seguido do também hit “Enter Sandman,” o Deus dos sonhos provocando pesadelos nas crianças.

E acaba com quase uma hora e meia. O bis começa com uma regravação, “Stone Cold Crazy,” o grupo inglês Queen, registrado pela banda no álbum de covers "Garage Inc." E duas tsunamis do primeiro disco deles, “Kill’Em’All,”Motorbreath” e “Seek And Destroy.”

Assim foi o sábado. Não me credenciaram para o domingo. Contem aí please.

METALLICA RULES!"

(do Jam Sessions) 

 



Escrito por Ronaldo às 00h56
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... pros que ficarão em casa...

No final do ano passado o Metallica lançou dois dvd's: um gravado na França e outro no México. O 'Français Pour Une Nuit' foi gravado em Nimes, numa antiga arena romana, um local belíssimo. Oficialmente este dvd está disponível apenas na França ou no Metallica.com. O outro é "Orgulho, Paixão e Glória", fruto do melhor que foi tocado nos três dias de show no  México.

Vejam no clipe abaixo que o som dos caras está pauleira, a banda afiadíssima, raçuda como nos velhos tempos. O novo baixista Robert Trujillo encaixou como uma luva, não deixando nada a desejar aos anteriores, muito pelo contrário. Apesar de estar com um kit bem reduzido, com apenas dois tambores, o trabalho de  bumbos de Lars Ulrich está soando como há muito tempo eu não ouvia.

Vida longa ao Metallica e que o "Death Magnetic" tenha realmente significado uma virada na carreira da banda, que estava devendo um bom disco, coisa que não acontecia desde o Black Album. O DM é o trabalho mais pesado da banda desde "... and Justice for All". Foi ótima a saída de Bob Rock como produtor, trocado por Rick Rubin, que já trabalhou com Slayer, System of a Down e outros. Ou seja, é do ramo.

 

 1. Opening / The Ecstasy of Gold
 2. Creeping Death
 3. From Whom the Bell Tolls
 4. Ride the Lightening
 5. Disposable Heroes
 6. One
 7. Broken, Beat & Scarred
 8. The Memory Remains
 9. Sad But True
 10. The Unforgiven
 11. All Nightmare Long
 12. The Day That Never Comes
 13. Master of Puppets
 14. Fight Fire With Fire
 15. Nothing Else Matters
 16. Enter Sandman
 17. The Wait
 18. Hit the Lights
 

19. Seek And Destroy

01 Blackened
  
02 Creeping Death
  
03 Fuel
 
04 Harvester Of Sorrow
 
05 Fade To Black
 
06 Broken, Beat & Scarred
 
07 Cyanide
 
08 Sad But True
 
09 One
 
10 All Nightmare Long
 
11 The Day That Never Comes
 
12 Master Of Puppets
 
13 Dyers Eve
 
14 Nothing Else Matters
 
15 Enter Sandman
 
16 Stone Cold Crazy
 
17 Motorbreath
 
18 Seek And Destroy

  

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Escrito por Ronaldo às 16h02
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Bodas de prata

Lá se vão 25 anos do primeiro dia do Rock in Rio. No dia 15 de janeiro de 1985 era este o band list: Kid Abelha, Eduardo Dusek, Barão Vermelho, Scorpions e AC DC.  Bem eclético. A galera mais roqueira execrou Kid Abelha e Dusek. É a isso que Herbert se refere, como pode ser visto no post de 12/11.

O Festival colocou o Rio, o Brasil, na rota das turnês dos grandes artistas. Eu não fui, infelizmente, tinha quinze anos, não tinha dinheiro, e minha mãe não quis me patrocinar, pois assim como muitos achava que aquilo ia ser um inferno - como também "previsto" por Nostradamus, boato que corria à época. Uma pena, eu pelo menos gostaria de ido no show de abertura com Whitesnake, Iron Maiden e Queen.

Entretanto, o dia 15 de janeiro era mais especial ainda: elegeu-se indiretamente Tancredo Neves para presidente no Congresso Nacional, dando um ponto final no generalato da ditadura militar. Lembro de o Cazuza enrolado na bandeira nacional, na última música, "Pro dia nascer feliz", dizendo: "que amanhã nasça lindo pra todo mundo... com um Brasil novo... com uma rapaziada esperta". Bacana.

Eram dias carregados de esperança cívica, emabaldos por uma trilha sonora vinda do Rock in Rio. Ano que vem parece que vai ter mais um festival. Espero que tragam o AC DC e o Metallica para compensar o que o Rio perdeu recentemente.

 

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Escrito por Ronaldo às 23h08
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Eu e os anos 00

Estou achando bizarro a enxurrada de listas com os "melhores da década". Como assim década? O milênio, o século e a década começaram em 2001, então a atual só pode terminar em 2010, ok? A mídia mais uma vez comete esta bola fora. Fica risível levar a sério qualquer lista na área de cultura feita por gente que não tem sequer a noção do tempo.

Creio que tentam fixar de maneira errada na cabeça das pessoas o fim dos anos "00". Ou seja, assim como os anos 70 ficaram entendidos como de 1970 a 1979, os anos oitenta de 1980 a 1989, estaria 2009 marcando o final de dez anos (2000 a 2009). Mas daí a chamar de década é uma distância milenar.

Feito o esclarecimento óbvio, eu estava lendo as listas que rolam por aí com os melhores da música internacional. Devo dizer que cheguei a uma conclusão: ou não conheço e/ou não gosto e/ou ouvi quase nada do que elencam como "os melhores".

Pode ser que eu tenha parado no tempo e não esteja ligado na parada, mas acho que não estou perdendo muita coisa não: The Strokes, Arctic Monkeys (quem???), Radiohead, Queen Of The Stone Age, Franz Ferdinand e etc e tal. Bem estes são para muitos os melhores dos anos 00. Ou seriam os próprios zeros? Exagero.

Entretanto, nos anos 00 eu não estive surdo, ouvi muita coisa, mas estive mais em busca do blues, como Rory Gallagher (este talvez quem mais eu tenha ouvido nestes anos); do rock de Free e Creedence; a fase clássica do Iron Maiden; e a primeira fase do AC DC e do Metallica.

Na minha opinião, o System of a Down foi a melhor banda de rock dos anos 00. Lançou apenas cinco, mas excelentes álbuns. A banda é composta por quatro descendentes de armênios que tocam uma música vigorosa, agressiva, com letras engajadas, um som difícil de rotular. Posso dizer que é rock pesado, mas também é muito mais que isso, com suas ricas referências musicais e utilização de instrumentos diversos.

Bem, é claro que também vou fazer a minha listinha, em ordem cronológica, daqueles discos que gostei de ouvir e que foram feitos nestes anos 00. Todos eles eu tive o prazer de comprar, algo cada vez mais raro na geração atual, viciada em downloads.

Como toda lista ela é idiossincrática, o que explica a inclusão do Rush, uma das minhas bandas favoritas, apenas para completar dez cd's.

 

All That Yoy Can Leave Behind (2000) - U2

 

 

Toxicity (2001) - System of a Down

 

Audioslave (2002) - Audioslave

 

Vapor Trails (2002) - Rush

 

American Idiot (2004) - Green Day

 

Mesmerize (2005) - System of a Down

 

Back to Black (2006) - Amy Winehouse

 

Nostradamus (2008) - Judas Priest

 

Black Ice (2008) - AC DC

 

Death Magnetic (2008) - Metallica

 

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Escrito por Ronaldo às 23h43
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Gostei dessa

 

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Escrito por Ronaldo às 00h34
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Escrito por Ronaldo às 19h46
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"Richard Branson, o dono da Virgin, acaba de lançar uma equipe na Fórmula 1,
que terá no ano que vem o piloto brasileiro Lucas di Grassi e o alemão Timo
Glock. Esse megaempreendedor inglês se consagrou com uma gravadora e uma
rede de lojas, tem hoje uma companhia aérea, investe até em viagens
espaciais e está entre os 300 homens mais ricos do mundo, segundo a revista
Forbes. Tudo decolou com um disco de rock.

Aos 16 anos, em 1966, Branson lançou sua própria revista, chamada Student.
Em 1970, abriu um pequeno negócio de vendas de discos. Foi aí que tudo
começou. Branson conheceu o músico e compositor Mike Oldfield e o ajudou a
gravar em seu estúdio o álbum "Tubular Bells". Até então, ele nem imaginava
montar uma gravadora. Mas devido ao fracasso de Mike Oldfield ao tentar
mostrar o disco para uma série de gravadoras e todas recusarem, Branson
decidiu montar seu próprio selo, a Virgin Records e lançar "Tubular Bells"
em 1973. O lado visionário de Richard Branson estava desperto.

Ele acreditou e apostou na obra-prima de Mike Oldfield e o disco acabou
vendendo quase 20 milhões de cópias. A grana foi mais do que suficiente
para que Richard Branson investisse numa rede de lojas de discos, a Virgin
Megastores. "Tubular Bells" foi reeditado em 2009 em edições luxuosas, mais
de 35 anos depois de seu sucesso - muitos lembram como a música de abertura
do filme "O Exorcista", de 1973. Considerado uma obra-prima do rock
progressivo, "Tubular Bells" também serviu como inspiração máxima para a
geração New Age. Vieram então outros discos do gênero krautrock e bandas
como Tangerine Dream e Faust e Gong.



No final dos anos 70, quando começava a explosão do punk rock no Reino
Unido, Branson teve mais uma sacada. Depois de ver os Sex Pistols serem
recusados e banidos por gravadoras como A&M e a iEMI, Branson sacou que
todo aquele escândalo poderia render muita grana e os contratou. Quanto
mais encrenca eles arrumavam, mais discos do Sex Pistols a Virgin vendia.
"Never Mind The Bullocks" é um dos discos mais importantes da história do
rock e foi graças a Virgin Records que ele foi lançado mundialmente.

Durante a chamada new wave, a Virgin lançou e apostou numa série de novas
bandas. Uma das mais bem sucedidas foi o Culture Club, que apostava na
imagem andrógina de Boy George. O selo ainda revelou nomes como The Human
League, XTC e Simple Minds. Em 1991, Richard Branson vendeu o catálogo da
Virgin para a gravadora EMI. Com mais essa grana, começou a Virgin Atlantic
Airways - uma companhia aérea.

Cinco anos depois, Richard Branson fundou a gravadora V2 Records. E, mais
uma vez, revelou grandes nomes, como Moby e White Stripes. Em 2006, ele
vendeu a V2 Records por 15 milhões de dólares. Com o crescimento dos
downloads de músicas, Branson passou a não mais acreditar na indústria do
disco e está fechando sua rede Virgin Megastores. Seu próximo passo será
investir em viagens espaciais.

Com mais de 400 empresas e 70 mil empregados, Richard Branson declarou
recentemente numa entrevista: "Nos negócios, o que importa é conseguir
criar algo especial". E pensar que tudo isso começou com uma lojinha de
discos e uma gravadora bem sucedida.

Em 1999, ele lançou o livro Losing My Virginity: How I've Survived, Had
Fun, and Made a Fortune Doing Business My Way, em que ele conta sua
história de uma maneira bem humorada, como o próprio título sugere."

                                                                   (Kid Vinil)

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Escrito por Ronaldo às 18h20
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Crônica de final de ano

Vou ter saudades de tudo - Arnaldo Jabor

 

"Eu andava pela Rua São Francisco Xavier. Eram os anos 30. Tudo em preto e branco, como num filme mudo. Nas calçadas, passavam homens de chapéu, mulheres de luvas e saias compridas. Nas ruas, carros Ford bigode buzinavam. Eu ia em direção à casa de minha avó, lá na Tijuca.

Toquei a sineta da porta e ela surgiu, no alto da escada de pedra. Cabeça toda branca, minha avó desceu até o portão: "Que o senhor deseja?" ? perguntou, sorrindo, mas desconfiada.

"Bem, d. Lucilia, é o seguinte: a senhora não me conhece, mas eu sou seu neto. Só que eu ainda não nasci, mas resolvi passar por aqui e pedir sua bênção..." Minha avó me olhou com medo, a sineta disparou a tocar sozinha como um alarme, e eu acordei, sentindo uma infinita saudade dessa época em que eu não existia.

Acho que foi um típico sonho de fim de ano, que é festejado para esquecermos o tempo. A solidariedade natalina, as castanhas e panetones, os brindes felizes, tudo serve para banir a morte de nossas cabeças. "Como morrer num dia assim, com um sol assim?" ? cantou Olavo Bilac.

Uma vez, li um texto do Nabokov, em que ele conta que vira umas fotografias de família, tiradas antes de seu nascimento. Sentiu-se, numa pré-morte, abandonado antes de viver, traído por seus parentes, rindo, felizes sem ele. É impossível entender a não existência. Daí o terror ? como pensar o impensável? Não adianta: tudo que se disser sobre a morte é lugar-comum ? inclusive este.

Li um texto incrível do Martin Amis sobre os últimos momentos do Muhamad Atta, o comandante do ataque as torres do WTC, no 11 de setembro. Ele afirma que Atta não era religioso, nem político, nem revolucionário. Não acreditava em Alá; apenas queria conhecer o inominável, o segundo em que a vida acaba contra a muralha, aquele centímetro entre o ser e o nada.

O grande terror é sabermos que, mortos, ficaremos desatualizados logo, logo. As notícias vão rolar e eu de nada saberei. Como ficar por fora das artes, da política, até dos escândalos do Congresso? Haverá crises mundiais, filmes que estreiam, músicas lindas, e eu lá embaixo, sem saber das novidades? Quem ganhou a Copa? É insuportável a desinformação dos falecidos. Nelson Rodrigues dizia que em jogo do Brasil, até os esqueletos ouvem os lances num radinho de pilha, no fundo da cova. Não estar é terrível.


Meu avô disse uma vez: "Acho triste morrer, seu Arnaldinho, porque nunca mais vou ver a Av. Rio Branco..." Isso me emocionou, pois ele ia diariamente ao centro da cidade, onde tomava um refresco de coco na Casa Simpatia, passava na Colombo, comprava goiabada "cascão", queijo de Minas e voltava para casa, de terno branco e sapato bicolor.

Há um menu de mortes, vividas de mil maneiras, ou melhor, não se vive a morte, óbvio, pois estamos no furo da tragédia, no olho do fim. A morte não entra em cena; no Ivan Iliitch do Tolstoi, quando ela chega, acaba o conto. Só assim se pode falar da morte: pela ausência. A morte não está nem aí para nós; ela tem "vida própria".

A morte ignora nossos méritos, nossas obras. Ela é uma simples mutação da matéria que se cansa de resistir à vida. Freud: "A vida é o conjunto de forças que resiste à pulsão de morte." A matéria quer sossego. Às vezes, quando tenho vontade de morrer, imagino, por exemplo, o mar da Bahia: vou deixar esse céu azul colado no grande oceano que bate em pedras negras com o sol afogado no horizonte? Vou sair daqui para ir aonde? Ao encontro de Deus? Mas já estamos na eternidade, o universo é a eternidade. Não é que Deus esteja em tudo; tudo é Deus, como o grande gênio Espinosa sacou. Viver é ver Deus, ali, na galáxia e no orgasmo, no buraco negro e no coração batendo ? tudo a mesma coisa. Perdemos a paz dos pássaros e macacos, mas esse exílio nos deu a maravilhosa anomalia da linguagem. Vemos o universo de fora, estando dentro. Parafraseando Cézanne, "somos a consciência do universo que se pensa em nós".

Desculpem o papo "cabeça", mas final de ano me faz "filosófico"...

Por isso, quando penso que não irei ao meu enterro, tremo de pena de mim mesmo. Vou ter saudades de tudo. Acho triste a Lagoa azul e roxa no fim da tarde do Rio e eu sem ver nada. O jazz tocando num piano bar e eu ausente. Não terei saudades de grandes amores, nem do mundo de hoje, excessivo e incessante. Não. Debaixo da terra, terei saudades apenas de irrelevâncias: algumas tardes nubladas de domingo, quando o ar fica parado, com urubus dormindo na perna do vento, terei saudades do cafezinho, de beiras de botequins, do uisquinho ao cair da tarde em Ipanema ? minha morte é carioca. Não terei saudades deste mundo febril; só de quietudes. Terei saudades de alguns raros instantes sem medo ou culpa, de momentos de felicidade sem motivo ao ouvir, digamos, Sophisticated Lady, no sax de Ben Webster e Billy Holliday, Erik Satie, João Gilberto, Matisse, Rimbaud, João Cabral, Cantando na Chuva, terei saudades de Fred Astaire dançando Begin the Beguine com Eleanor Powell felizes por toda a eternidade.

Nada de grandes prazeres globais, só calmarias: o silêncio entre amigos na paz de um bar, papos de cinéfilos, risos e camaradagem de subúrbio, Lapa, o samba com o clima de amor que nos envolve nas rodas pobres, Noel Rosa, pernas cruzadas de mulheres lindas e inatingíveis, terrenos baldios, Paris (claro), o tremor de medo e desejo da mulher na hora do amor, a timidez, a delicadeza, a compaixão, a súbita alegria de uma vitória, o prazer da arte, Fellini, Chaplin, Shakespeare e Tintoretto em Veneza para sempre, terei saudades do Desejo e, claro, do meu Brasil.

Há mortes súbitas e lentas. Você, frágil leitor, qual delas prefere? O rápido apagar do "abajur lilás" num ataque cardíaco ou o lento esvair da vida, sumindo com morfina? Eu queria morrer como o velho Zorba, o grego, em pé, na janela, olhando a paisagem iluminada. E, como ele, dando um berro de despedida. Mas não tenho sua grandeza épica."

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Escrito por Ronaldo às 18h12
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Vida longa para Dio

Li que Ronnie James Dio, um dos maiores vocalistas de rock de todos os tempos, está fazendo tratamento com quimioterapia para combater um câncer no estômago.

Saúde e força para Dio na batalha contra esta doença maldita.  

 

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Escrito por Ronaldo às 02h53
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Biografia do Led

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Escrito por Ronaldo às 02h40
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Que bonito é....

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Escrito por Ronaldo às 23h37
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Sampa leva mais um

Confirmado: São Paulo ganhou um show adicional do Metallica, no Morumbi, dia 31/01.

Que inveja....

SET LIST Básico:

Encore:

  • Helpless (Diamond Head cover)
  • Whiplash
  • Seek & Destroy

  •  

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    Escrito por Ronaldo às 00h06
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    FLAMENGO

     

    HEXACAMPEÃO BRASILEIRO

    80 - 82 - 83 - 87 - 92 - 2009

     

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    Escrito por Ronaldo às 03h23
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    Jimmy Page na Lapa

    Jimmy Page esteve na Lapa por alguns instantes no Rio Rock e Blues. Subiu no palco, autografou uns posters leiloados em benefício da Casa Jimmy, mas para decepção geral não tocou. Apenas pegou uma guitarra de um sujeito que estava no palco, deu UMA palhetada na guitarra autografada que seria arrematada e vazou.

    Ainda bem que não fui, pois seria o acorde mais caro de minha vida: R$ 100,00. 

     

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    Escrito por Ronaldo às 13h41
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