Uma forma rápida de envelhecer é fechar a cabeça para o que chega novo na vida a sua volta. Uma forma de blindar seus ouvidos à busca de novos sons é se fechar naquele paraíso que você sabe que é bom, e deitar eternamente nesta zona de conforto musical. Como quero buscar sempre a fonte da eterna juventude, um pouco, muito pouco, pouquíssimo, procuro, às vezes, ouvir alguma coisa fora do meu compasso musical tradicional.
Tenho sérias reservas àquilo que a mídia começa a despejar por todos os meios e chamar de genial, revolucionário, novidade e etc e tal. Mas Criolo me chamou atenção quando Chico Buarque o homenageou nesta sua última temporada de shows cantando "Valeu Criolo Doido, evoé, jovem artista!". Mas o Chico também já subiu no palco com Carlinhos Brown, aquela mala baiana sem alça e sem pimenta. O Criolo ganhou muitos prêmios de melhor disco de 2011, revelação e artista do ano. Mas o Restart, a Ivete e outras porcarias já ganharam também...
Então vamos lá, crioulo, mostra seu futebol pra mim que eu quero ver! Gostei! Bingo! O Criolo é um cara respeitado no movimento hip-hop de São Paulo, onde era conhecido como Criolo Doido. Lançou um dvd chamado "Rinha de MC's", onde se mostra a batalha de rappers, estes repentistas com inspiração de negros americanos, pois os de lá chegam a ficar milionários, os daqui levam é muita porrada, e tiros, da Rota.
Importante fazer uma pequena elucidação teórica, pois eu mesmo sou iniciante neste meio de música/cultura de rua mundial. O movimento Hip-Hop nos EUA envolve rap (rhyme and poetry - rima e poesia) ou ainda (rhythm and poetry, ritmo e poesia). Eu gosto mais deste último, mas tecnicamente não é o correto. Hip-Hop também tem street dance, a dança de rua, o chamado break americano, era um dos subprodutos. Por fim, o movimento americano hip-hop tem ainda o grafite, fazer pinturas em muros, viadutos, mas arte, nada a ver com pichadores de muro.
Dito isso tudo, o Criolo sempre foi do ramo lá em Sampa. Mas deu uma guinada em sua carreira musical que pode levá-lo a ganhar muita grana, mas sem perder a essência das ruas. O Marcelo D2 já fez isso, com seus raps misturados com samba, mas nunca gostei do resultado, nem nunca fui com a cara dele. Ponto.
O antes Criolo Doido, deixou de ser radical e saiu do mundinho do rap e colocou em sua música muito ritmo brasileiro, um swing dos anos setenta que eu não ouvia desde Tim Maia ou Banda Black Rio. O cd "Nó na Orelha" de Criolo mostra um trabalho bem abrangente, com muitas influências, sendo a base o rap, mas chegando a algo que podemos chamar de MPB.
A banda dele tem trompetes, algo que dá um corpo na música bem diferenciado. O cara ainda sabe cantar quando é preciso. E é rápido no gogó quando precisa ser rapper. Mas numa das músicas de seu cd ele diz a frase de sua realidade filosófica: "cantar rap nunca foi pra homem fraco/ saber a hora de parar é pra homem sábio".
No final desta música, Sucrilhos, um tremendo rap, ele solta os versos que talvez sejam os definitivos: "eu tenho orgulho da minha cor / do meu cabelo e do meu nariz / sou assim, e sou feliz / índio, cabloco, cafuzo, criolo! / sou brasileiro!".
Dica: o cd Nó na Orelha está disponível para download gratuito no site do artista: www.criolo.net
Pois é, finalmente fui num show do Chico Buarque. Já não era sem tempo, falha minha, mas o cara também não anda fazendo muitos espetáculos. Vem lançando um disco novo a cada cinco anos, logo seguido de dvd e aí depois o público fica de novo naquela longa espera. Resolvi que era chegada a hora, o Chico já está com 67 anos, pode ser o último cd, sabe lá?
Parece um show de música clássica - e talvez seja. Afinal, trata-se de um mito da música popular brasileira, um de nossos maiores compositores. O artista é de pouquíssimas palavras. Fica a nítida impressão que o palco ainda é incômodo para ele, mesmo agora com mais de 40 anos de estrada. "Obrigado", é o que ele fala, entre uma música e outra. Muito reservado e extremamente tímido. Talvez seja nosso artista com menos presença de palco.
É enorme a reverência que o público o recebe. São milhares de súditos de um Rei de nossa música. Entretanto, não posso deixar de perceber a grande falta de educação de um público que podemos dizer continha somente a elite carioca, dado o preço, e o artista. O Vivo Rio não é uma boa casa de espetáculos. Mesas apertadas e os garçons servindo as pessoas mesmo depois de iniciado o show. Um absurdo. A pessoas falam - e muito - durante o show. Toca celular, rádio e o escambal. Rio de Janeiro, seu nome também é falta de educação.
Voltemos. Trata-se de um espetáculo bastante calcado no amor. Talvez pelo fato de estar Chico Buarque namorando uma mulher que tem menos da metade de sua idade, o show tem muito de encontros e desencontros nas eternas músicas clássicas de Chico. O último cd dele é bem melhor que os anteriores e tem declarações de amor a Thais Gulin, um bom exemplo é Essa Pequena, que em ritmo de jazz diz: "Meu tempo é curto, o tempo dela sobra / Meu cabelo é cinza, o dela é cor de abóbora / Temo que não dure muito a nossa novela, mas / Eu sou tão feliz com ela". Bonitinho, né? Pois é, homem apaixonado fica babaca mesmo.
Uma das características de Chico é a capacidade de descrever a alma feminina. Em sua obra são muitas as músicas dele que fez como se mulher fosse. Isso é fatal. A mulherada se ajoelha aos seus pés e canta, em uníssono!!!, coisas assim: "Eu sou sua alma gêmea / Sou sua fêmea / Seu par, sua irmã / Eu sou seu incesto / Sou igual a você / Eu nasci pra você / Eu não presto / Eu não presto". Acreditem, as mulheres presentes, de todas as idades cantaram estes versos de Sob Medida felizes da vida. Pois é, depois o cafajeste sou eu.
O show é muito bem amarrado. No dia que fui foram tocadas 33 músicas. dada a extensão e qualidade da obra Chico pode escolher vários clássicos, deixando outros vários de fora, mas ninguém sai de lá com aquela coisa de "putz, mas faltou aquela...". Nada disso. Todos saem extasiados, embevecidos pela oportunidade cada vez mais rara de presenciar e estar ali ouvindo grandes canções de um genial artista.
A hora que ele fica mais à vontade é quando chama para dois duetos o parceiro, e baterista exclusivo (Chico fez questão de ressaltar isso), Wilson das Neves. Chico se divertiu, riu e se soltou. Foram dois sambas de primeira, um deles o clássico Tereza da Praia (Tom Jobim e Billy Blanco, de 1954). Aliás, a banda dele é ótima, só fera. Elegantes, estavam pontualmente no palco na hora marcada, esperando a casa acabar os anúncios, para iniciar os trabalhos com o mestre Chico. Destaque para o maestro, arranjador, Luiz Cláudio Ramos, que tocou violão de seis e doze cordas, deixando Chico à vontade para apenas dedilhar o essencial no violão; e para Bia Paes Leme, teclados e backing vocals.
Chico Buarque nunca foi e nunca será um grande cantor. Mas que diferença isso faz? Ele hoje em dia coloca a voz num ponto menos incômodo que anos atrás, nunca teve boa extensão vocal, então não se atreve a ir muito longe. Entretanto, na minha opinião, suas músicas são sempre melhor cantadas por ele mesmo, que perdoem as grandes Nara Leão, Maria Bethânia e até Cauby Peixoto. Lembrando este último, Chico cantou Bastidores, e fica muito bom. Destaque para uma mulher que gemeu, repito, gemeu, quando ouviu os primeiros versos desta música. Hilário. Logo depois a mulherada toda cantando a música que diz em seu estrofe final: "Cantei, cantei / Jamais cantei tão lindo assim / E os homens lá pedindo bis / Bêbados e febris / A se rasgar por mim / Chorei, chorei / Até ficar com dó de mim".
Espetacular. Valeu a pena a espera. Foi um show de extrema elegância e bom gosto. Chico Buarque é um patrimônio cultural de nosso país. Dá um orgulho enorme termos um brasileiro de tamanha qualidade. Valeu, Chico!
"De olho no mercado de produtos internacionais que normalmente não são lançados por aqui, e, quando importados, tornam-se muito caros, a Som Livre coloca nas lojas, de uma só vez, quase todos os trabalhos da banda Black Country Communion: os CDs Black Country Communion 1, Black Country Communion 2, e o Blu-ray e DVD duplo Black Country Communion – Live Over Europe. O CD será lançado no início deste. A história do grupo, que está prestes a invadir as prateleiras brasileiras, é bastante recente, mas reúne quatro grandes nomes do rock.
Em novembro de 2009, Kevin Shirley, que já produziu e mixou trabalhos de bandas como Iron Maiden, Led Zeppelin e Rush, viu o vocalista e baixista Glenn Hughes ― que já cantou em bandas como Trapeze, Deep Purple e Black Sabbath ― e o guitarrista Joe Bonamassa tocando juntos no evento Guitar Center’s King of the Blues, em Los Angeles. Decidido a transformá-los em uma banda, Kevin recrutou e juntou à dupla o baterista Jason Bonham ― que é filho de John Bonham, do Led, e chegou a acompanhar a banda do pai durante uma reunião ― e o tecladista Derek Sherinian, que já emprestou seu talento a bandas como Alice Cooper, Kiss e Dream Theater. Juntos, decidiram dar ao grupo o nome da área industrial da Inglaterra em que Jason e Glenn nasceram e foram criados.
Em setembro de 2010, a banda lançou seu primeiro álbum, Black Country Communion 1, masterizado pelo lendário Bob Ludwig, cujo nome aparece nos créditos de trabalhos de Jimi Hendrix, Paul McCartney, Rolling Stones, entre muitos outros. No disco, os destaques são as músicas “Sista Jane” (Joe Bonamassa / Glenn Hughes) e “Too Late For The Sun” (Joe Bonamassa / Jason Bonham / Glenn Hughes / Derek Sherinian / Kevin Shirley), em que Bonamassa e Hughes dividem os vocais, e a versão nova de “Medusa”, canção composta por Hughes, gravada originalmente com a banda Trapeze. Todas as músicas, com exceção de “Song of Yesterday” (Joe Bonamassa / Glenn Hughes / Kevin Shirley) e “The Revolution In Me” (Joe Bonamassa / Derek Sherinian), na voz de Joe Bonamassa, são cantadas por Glenn.
O álbum foi aclamado pela crítica, e a banda atingiu as posições 53 e 18 no Top 200 e na lista dos melhores álbuns de rock da Billboard. Na Inglaterra, o disco ficou em primeiro lugar entre os 40 álbuns de rock e em 13º no ranking geral. Vale dizer também que a renomada Classic Rock Magazine considerou o disco o terceiro melhor do ano, e que os ouvintes da rádio Planet Rock coroaram o Black Country Communion como a “melhor banda nova” de 2010.
Em junho deste ano foi lançado o segundo CD, Black Country Communion 2. Na ocasião, o produtor Kevin Shirley disse: “Neste disco eu quis explorar mais o som de Bonham de cada membro individualmente. No entanto, continua sendo o mesmo som diferenciado do Black Country Communion”. O álbum estreou na 71º posição do Top 200 da Billboard e vendeu, em sua primeira semana de lançamento, oito mil cópias somente nos EUA. O jornal Sunday Mercury publicou, na ocasião: “isto é rock clássico e abrangente e faz juz à sua herança. O disco pode não ser superado este ano.”
Seu mais recente trabalho, o Blu-ray e DVD Duplo Live Over... foi filmado durante a turnê de estreia do quarteto, que, em 2011, visitou os Estados Unidos e a Europa, e lançado em outubro nos dois lugares. A gravação foi feita durante os shows nas cidades de Munique, Hamburgo e Berlim. São, ao todo, 18 faixas – 17 composições próprias e um cover – que visitam os dois álbuns anteriores do grupo. Destas, destacam-se “Black Country” e “One Last Soul”, de Hughes e Bonamassa, “Man In The Middle”, “Cold” e “Song Of Yesterday”, compostas pelos dois em parceria com Kevin Shirley, e “Save Me” (Glenn Hughes / Joe Bonamassa / Derek Sherinian / Kevin Shirley / Jason Bonham / Chris Blackwell). “Dois álbuns em estúdio construíram um repertório grande o suficiente para uma apresentação ao vivo completa, o que nos permitiu libertar o monstro para que todo o mundo possa vê-lo e senti-lo”, disse Kevin Shirley. Através da Som Livre, o Brasil agora também vai ver e sentir."
Estamos numa era de excesso de informações vindas por todos os lados. Isso cria a falsa sensação de se estar bem informado, quando na verdade mais informações depejadas instantaneamente por segundo nos deixam sempre...desinformados. Dialético. FInal de ano fico mais filosófico e reflexivo.
Neste contexto, ouvi falar, repito, ouvi, não li, de Joe Bonamassa na lojinha de cd's Scheherazade na Tijuca, onde os coroas se reunem para comprar e conversar envoltos de discos em todoas as paredes. Uma espécie de museu nos dias de hoje, nesta era de a música estar sendo algo apenas digital, o que faz com que se perca o prazer tátil de "segurar a arte", a música, enfim, um disco. Perde-se também a possibilidade de ler a ficha técnica, algo essencial para aficionados que veem a música como ARTE e não como algo decartável. Ponto.
O pessoal falava de um supergrupo que havia sido formado, o Black Country Communion, que tinha a lenda Glenn Hughes (ex-Deep Purple, Trapeze, Black Sabbath), no baixo; o fera Jason Bonham na bateria, que é filho da lenda John Bonham, falecido baterista do Led Zeppelin; o fera Derek Sherinian, ex-tecladista do Dream Theater. Na guitarra, Joe Bonamassa. Foi aí que eu me perguntei: quem? Fiquei na minha, pois não podia perguntar pros especialistas quem era o "Boa Massa", perigando ouvir como resposta que era a lasanha.
Deixei gravado na minha cabeça, cheia de pendências musicais, mais este dever de casa. Um belo dia, anteontem, fui lá no Youtube e escrevi Joe Bonamassa. Passei a ver uns vídeos do cara e confirmei que o sujeito é fera, e caminha a passos largos para virar uma lenda da guitarra. Afastada a empolgação inicial, desta sensação indescritível de estar descobrindo a pólvora, arrisco-me a dizer que trata-se do novo rei do blues-rock elétrico, posto que já foi de Stevie Ray Vaughan e de Rory Gallagher. O cara tem pegada, tem técnica, velocidade, GOSTA de ser um virtuose, tem boa voz blueseira e apenas 34 anos de idade.
Ontem fui no outro museu que frequento, a lojinha de discos que fica na Rua do Rosário, ao lado de um puteiro. (Nunca vi casa de tolerância ser permitida de funcionar ao lado de igreja). Dei a última olhada nas paredes e me fisgou um determinado cd de capa dourada. Só podia ser coisa dos Deuses da música: era "Dust Bowl", cd de Bonamassa lançado este ano. Claro que comprei. Agora este cd está tocando no meu som, em volume consideravelmente alto.
No ENCARTE, viva o encarte!!!!!, leio que uma das guitarras usadas é um Gibson Les Paul Joe Bonamassa. Pois é, já tem uma série só dele da mais charmosa guitarra do mundo. Tá com moral o cara. Neste cd tem uma bela versão de "Heartbreaker", do Free, muito bem cantada por Bonamassa - tarefa ingrata, pois o original tinha no vocal o grande Paul Rodgers. No baixo, há a especial participação de Glenn Hughes. Presente final de ano para mim. Feliz Ano Novo pra todos nós.
Abaixo este novo guitar hero tocando ao vivo no Rockpalast. Importante destacar: trata-se de um TRIO. Um power trio!!! Vida longa a Joe Bonamassa!!!!
Ca-ra-ca!!!!! Mark Farner, vocalista e guitarrista do Grand Funk Railroad, virá ao Brasil em janeiro, conforme anunciado pela revista Poeira Zine. Será a primeira vez dele por aqui. Já tem data fechada em SP e Porto Alegre no fim do mês que vem. Parece que ainda tem três datas em aberto, então, para quem é de torcedor, torça; para quem é de reza, reze; e se você é de orar, ora bolas, ore muito! Esse cara tem de vir no Rio. Se rolar um crowdfunding tô botando dinheiro nisso.
Se você nunca ouviu falar de Grand Funk, faço questão de esclarecer que não tem nada a ver com funk, pode ficar tranquilo. Este nome é inspirado na Grand Trunk Western, uma estrada de ferro americana. A banda iniciou em 1969 como trio, depois teve um tecladista incorporado, mas eu gosto mesmo é da fase inicial clássica como power trio. Quebravam tudo, tocavam muito. Chegaram a ter sucesso num época que era farta a existência de boas bandas de rock, sobretudo de hard rock, caso deles.
Reza a lenda que numa turnê do Led Zeppelin o Grand Funk foi chamado para abrir o show. Deu merda. Os caras arrebentaram e a platéia não parava de pedir para os caras voltarem pro palco. Sentindo que a permanência da banda ameaçaria o Led, o empresário deles, o truculento Peter Grant, mandou desligar o som do Grand Funk. Eu não duvido, conhecendo a qualidade da banda e a péssima reputação de Grant.
Para terem uma idéia do nível dos caras, em 1976 eles tiveram um disco ("Good Singin' . Good Playin') produzido por, nada mais nada menos, Frank Zappa. Pois é. Não era pra qualquer um isso não. A banda foi bem até o final dos anos 70, mas depois que brigaram com o empresário deles a coisa degringolou, teve processo na justiça e o encanto acabou. Depois eles deram uma leve guinada para um som mais comercial (todo mundo deve lembrar de "Locomottion", que sempre tocava nas festinhas), ganharam dinheiro, mas perderam a essência daquela banda crua, direta, com muito improviso instrumental e um bom e velho hard rock.
Farner sempre foi muito religioso. Dizem que a banda era careta, limpa. Depois dos anos de rock ele chegou a ter uma banda gospel, a "God Rockers". Em janeiro deste ano o filho de Mark Farner teve uma queda e ficou praticamente tetraplégico. Foi feito um show beneficente no BB King's Blues Club, em NY, que contou com a presença de Roger Daltrey (The Who), Cliff Willinas (AC DC) e muitos outros. Espero que o filho dele esteja melhor.
Abaixo Mark Farner num show na semana passada em Moscou. A gravação foi feita lá da fila do gargarejo. O som não é dos melhores, mas vale o registro, e dá pra perceber a boa forma do velho e a banda afiadíssima que o acompanha. O pulso ainda pulsa.
A grife Montblanc fez um desafio: capturar uma imagem em movimento em apenas um segundo, desde que contenha.... a beleza. Bacana, né?
“A Beleza de um Segundo” é o nome do concurso, coordenado por Wim Wenders, respeitadísismo e (cult) cineasta alemão. O vencedor ganhará um caríssimo relógio cronógrafo Montblanc, recém-lançado, que custa 57 mil dólares.
Vejam o vídeo-compilação de vários “1 segundos” enviados por concorrentes de diversos países:
Este foi o ano de Adele. Esta inglesinha de 23 anos trouxe um bocado de beleza para o cenário musical de 2011. Com ótima voz, letras tristes, com muita fossa, as canções de (des)amor dela caíram no gosto popular e até novembro foi a artista que mais vendeu cd's no mundo, cerca de 10 milhões de cópias.
A cantora britânica está prestes a se tornar a primeira artista viva a ter o single e o álbum mais vendido simultaneamente nos Estados Unidos e Reino Unido desde os Beatles em 1964. Não é pouca coisa para uma carreira que apenas começa. Ela até agora tem dois cd's: "19" e "21". Torço para que não pire com o sucesso e com as armadilhas do mundo pop.
Ela canta muito, tem potência na voz, sabe modular, mas sem os excessos das "divas" americanas de R&B que teimam em abusar de virtuosismo de alcance vocal, o que muitas vezes dá um ar fake no cantar, que, no fundo, além de técnica, precisa vir de dentro, pois sairá mais bonito aos ouvidos e à alma (profundo isso).
Comparações no mundo musical geralmente são fadadas ao fracasso, mas gosto mais de Adele que de Amy, considero a inglesinha da hora mais cantora, mais consistente, mas cada um que ouça para tirar suas próprias conclusões.
O cd "21" é meu hit do momento. Sugiro consumir com moderação, pois as músicas da bichinha são tristes, com uma profundidade e densidade pouco comuns para alguém tão jovem. Seria desejável ter o nome e mail do cafajeste que a fez sofrer tanto - tadinha, que dó.
Esta grande cantora recentemente passou por uma cirurgia na garganta, pois estava com hemorragia gerada por um pólipo benigno. Espero que esteja tudo bem com ela, e que possa logo voltar aos palcos e para a estrada, pois o mundo é melhor com Adele cantando. Vem pra cá pro Brasil que a gente te dá colinho, bebê.
Na próxima semana será lançado mundialmente o dvd "Live at Royal Albert Hall", que mostrará a consagração de Adele neste templo da música mundial. Vai bombar este dvd, onde ela dá o recado acompanhada por uma big band e orquestra. Já rolam alguns clipes no Youtube. Coisa fina.
Abaixo um vídeo dela no Brit Awards, em fevereiro deste ano. Não fica triste não, Adele. Mas canta, canta, canta!!!
THE WALL é uma obra de protesto contra o mundo, as suas bases, e as pessoas que o formam. Waters procurou demonstrar como cada fator influenciou a vida do personagem, e como pode influenciar a vida de cada um de nós. O Governo e a guerra lhe tiraram o pai, sua mãe aprofundou seu isolamento com sua superproteção, a escola alienou todos a sua volta, e a mulher o traiu por causa do desinteresse que, por sua vez, foi gerado pela revolta contra os fatos acima citados. Tudo o empurrou para o isolamento.
Para Floyd, o mundo estava errado. Mas para o mundo, quem estava errado era Floyd. Ele era o isolado, o diferente, o louco.
Quantas vezes isso não ocorre na nossa vida: enquanto nós podemos ver claramente inúmeros erros grotescos na sociedade, e nas pessoas, quando vamos falar com estas pessoas sobre o que está errado, quem acaba se passando por alienado somos nós mesmos. O próprio Roger Waters foi taxado de depressivo pela crítica por causa do THE WALL. Isso ocorre pela primeira vez geralmente logo na idade escolar, onde já podemos enxergar as diferenças entre nossos colegas.
Daí, quando nos vemos diante de um dilema como este, nosso instinto acaba tomando uma decisão, de nos juntarmos aos alienados ou não. Se o nosso instinto acatar a segunda opção, o muro começa aí, e só vamos nos dar conta dele bem mais tarde...
Quebrar o muro significa mudar o mundo, para que não precisemos mais ficar isolados dele. Mas isso é muito difícil, Floyd não conseguiu. Ao invés de ele quebrar o muro, a sociedade é que o derrubou. Ter o muro derrubado significa ter suas idéias expostas e ridicularizadas pela sociedade, a voltar a ser chamado de “alienado” pelas pessoas que se julgam normais.
A Obra só terminou realmente com The Final Cut que é mais ou menos os restos de The Wall que Dave achava desnecessário, que fala mais sobre a Guerra e o sofrimento de Roger pela morte de seu falecido pai. Mas essa já é outra História.
Então, o que devemos aprender com THE WALL ?
A verdadeira mensagem está naquele menino que aparece no final do filme, que joga a sujeira fora da garrafa: talvez não precisemos nos isolar do mundo para tentar mudá-lo, mas sim, limparmos a sujeira de nossos corações e seguir em frente. Temos que quebrar os tijolinhos que aparecem no dia-a-dia constantemente, e não deixar que eles formem um muro enorme.
E você já reparou que, com todo o seu sofrimento, Floyd não disse uma palavra contra Deus? Pois é, se o muro te cerca pelos quatro lados, a saída está lá em cima. Sempre."
""Comfortably Numb" é o cúmulo da tristeza. Sem dúvida, esta música deve ocupar, juntamente com "Another Brick in the Wall part II", um lugar entre as melhores músicas do Pink Floyd e do Rock mundial. No filme, há uma mistura entre cenas do mundo real e o do muro. Floyd está confortavelmente entorpecido em seu quarto, e é encontrado pelos empresários e companheiros de banda. Os médicos tentam reanimá-lo com uma injeção ("Ok, é apenas uma picadinha de agulha!"), ao mesmo tempo em que as péssimas lembranças de sua vida perturbam a mente do personagem.
Do ponto de vista do mundo real, a injeção causou efeitos colaterais e não funcionou como devia. Sua visão ficou turva, teve de ser carregado até o carro que o levaria para o show, e sentia que sua pele estava derretendo. Do ponto de vista do mundo do muro, este é um momento em que todas as péssimas lembranças se juntam e pressionam a cabeça de Floyd, causando uma revolta tão grande que fez sua pele realmente "derreter" e se descolar do corpo. Tudo isso acontece enquanto David Gilmour executa um dos melhores solos de toda a sua carreira (se não o melhor), expressando toda essa revolta de uma maneira enérgica, mas ao mesmo tempo "bonita".
Nos shows, aquela esfera espelhada que aparece sempre que "Comfortably Numb" é tocada representa o desejo de manifestar a revolta a todo o mundo, através dos raios de luz, e também do solo de guitarra.
Outro momento importantíssimo da história: Floyd consegue se livrar da sua pele e, por baixo dela, aparece um uniforme estilo nazista. Percebe-se aí a grande influência da morte de seu pai na 2ª Guerra Mundial (lembrem-se que foi esta a guerra contra o nazismo). A suástica dá lugar a dois martelos cruzados, representando o desejo de se derrubar o muro, ou seja, se libertar das angústias e viver normalmente.
Aqui você deve estar pensando: mas não foi o próprio Floyd que construiu o muro para se isolar do mundo? Por que agora ele quer derrubá-lo?
Para entender esta aparente contradição, você deve se colocar no lugar da personagem. Você com certeza não iria querer se isolar do mundo. Floyd também não. Porém, se aqueles fatos (morte do pai, mãe superprotetora, professor carrasco, traição da mulher) acontecessem em sua vida, certamente no seu inconsciente haveria um desejo de se isolar. O muro é construído no inconsciente, e nós só nos damos conta de seu tamanho quando ele está muito alto. Traduzindo para a linguagem do mundo real, nós nos isolamos quase sem querer, e só percebemos nosso isolamento quando já estamos quase sem saída para nossos problemas. Neste ponto, você também não ía querer quebrar o muro?
Floyd vai para o show. Mas, em sua cabeça, atordoada pela injeção e pelo muro, o show toma uma aparência nazista, com braços esticados e tudo o mais. "In the Flesh" e "Run Like Hell" são as músicas deste trecho, talvez o único momento alegre do filme, já que é a parte que ilustra a vontade de sair do isolamento e manifestar os sentimentos. Novamente podemos ver as máscaras de botão no rosto das pessoas ("É melhor você colocar aquele seu disfarce favorito, com os olhos cegos de botão..."), representando alienação. Existem duas hipóteses para explicar o significado das máscaras no show.
Pode ser uma nova referência aos governos (com Floyd fazendo o papel de "líder político", alguém como Hitler). Neste caso, o significado da cena seria que todo tipo de governo pode ser comparado ao nazismo, pois todo governo acaba alienando as pessoas através da educação e da propaganda. Podemos muito bem tomar o exemplo do Brasil. Como pode um presidente entregar o seu país ao capital estrangeiro de uma forma tão grotesca e o povo não fazer nada? Acabar com a educação e com a saúde e ninguém perceber? Isso pode ser explicado pelo simples fato de que o nosso povo é alienado, assiste TV demais e acredita em tudo o que o governo diz através dela. Não se importa com a política de seu país e ainda acha que só "Fernandinhos" têm a capacidade de governar. Alienação pura !!!
Waters está criticando seus próprios fãs. Segundo ele, nós ouvimos suas músicas sem ao menos saber o que elas significam. É uma grande injustiça, já que a maioria de nós, floydianos, somos fãs do Pink Floyd justamente por causa das idéias e das letras. Mas todos nós sabemos que o relacionamento de Waters com seus fãs não era grande coisa. Além do mais, talvez ele não esteja criticando os verdadeiros fãs, mas as pessoas em geral que ouvem suas músicas.
"Waiting for the Worms", além de fazer referência à enganosa propaganda nazista, é o momento da guerra entre os martelos e os tijolos. Representa nossa luta contra o isolamento e suas causas. Mas lutar contra este isolamento não é nada fácil. O muro é mais forte, e em "Stop", Floyd se cansa de lutar. Em seu devaneio, ele é preso por ser "nazista". Na linha real, o guarda encontra "Floyd" cansado do show e sentado no canto de um sanitário, bebericando um pouco da água da privada.
Chegamos à fase final da história: a hora do julgamento ("The Trial"). No filme, é uma parte feita com desenho animado, onde cada pessoa que participa da sessão é representada por um desenho louco. Floyd vira um simples boneco de pano, sem movimentos, sem vida, ilustrando a sua impossibilidade de se defender das acusações. É um julgamento tipo "Juízo Final". Podemos ver o professor (em uma cena, aparece um boneco de uma mulher gorda e feia, a mulher do professor, que bate no boneco que representa o professor, que por sua vez, bate no boneco sem vida que faz as vezes de Floyd), a mãe (o abraço dela de transforma em um muro), a esposa, entre outros.
Floyd é culpado por construir seu próprio muro. Aquele Juiz que aparece dando o veredicto final representa a sociedade, o mundo, as outras pessoas. Tanto é que, no final da música, um grande coro grita: "Derrubem o muro". É a representação da sociedade. Ela não se importa se os motivos que levaram Floyd ao isolamento são válidos, se Floyd teve culpa ou não das desgraças de sua vida. O que importa é que Floyd é um isolado e não pode mais sê-lo. Portanto, o muro deve ser quebrado. E assim se faz.
"Outside the Wall" tem um significado muito bonito: trata das pessoas que estão do outro lado do muro, que amam a pessoa que está isolada, mas não são "vistas" por esta, e algumas delas acabam desistindo. "Afinal não é fácil bater seu coração contra o muro de um louco errante."
As crianças no final do filme representam o que cada um de nós vai fazer após assistir o filme: recolher tijolos do muro de Floyd e começar o seu próprio muro, ou jogar a sujeira fora e tentar viver uma vida normal. Você escolhe !"
"Outro grande fator que viria a influenciar a personalidade do menino Pink é a superproteção por parte de sua mãe ("Mamãe vai te ajudar a construir o muro"), retratada primeiramente na música "Mother". A infinidade de perguntas que Pink faz a sua mãe na letra da música indicam a sua dependência com relação a ela. Waters procurou (como não podia deixar de ser) estender as características da mãe no filme a todas as mães, usando frases como "Mamãe vai sempre descobrir onde você esteve", "Mamãe vai checar todas as suas namoradas", "Você será sempre um bebê para mim", entre outras que realmente expressam como são a grande maioria das mães.
"Mãe, será que devo construir o muro?". Aqui já podemos perceber o desejo do menino de se isolar do mundo.
Ainda em "Mother", podemos apontar outro tema muito explorado em "THE WALL": o relacionamento entre homem e mulher. No filme, aparece o contraste entre o menino curioso, que observa a vizinha trocando de roupa com o binóculo, e o homem revoltado, que prefere o jogo de futebol (observe que nem no jogo ele presta muita atenção) do que fazer amor com sua mulher. Quais seriam as razões que levaram o personagem a perder esse desejo de adolescente? Com certeza, a morte do pai, a superproteção da mãe e a revolta contra a educação podem ser apontados como motivos suficientes (segundo o autor) para isso.
Com certa razão, devido ao desinteresse do marido, a Sra. Floyd acaba traindo Pink com um líder anarquista. No filme, Pink Floyd liga para sua esposa, mas o amante desliga o fone em sua cara duas vezes. A telefonista diz: "era um homem atendendo". Depois, naquela animação que aparece no início da música "Empty Spaces" (uma das melhores introduções elaboradas pelo Pink Floyd), as flores brigando representam o relacionamento conjugal. No início, elas se esfregam e se acariciam. Num certo ponto, é evidente a representação nos desenhos de uma relação sexual (repare como as flores adquirem formas próximas dos órgãos sexuais). Até que, no fim, uma flor (a que representa a mulher) acaba engolindo a outra. Certamente, Waters quis com este desenho estender a característica de traidora a todas as mulheres, assim como ele fez com as mães e os professores.
Após a festinha que ocorre durante a execução da música "Young Lust", uma das mocinhas entra no trailer de Floyd. Era a chance dele "descontar" a traição, mas isso não aconteceu. Ao invés disso, numa das cenas mais chocantes do filme, o marido traído põe para fora toda a raiva, quebrando todo o seu trailer em cima da intrusa. Era uma de sua crises ("One Of My Turns").
Na verdade, o roteiro do filme não é muito fiel às letras do álbum, pois se as observarmos, podemos verificar a seguinte sequência:
Empty Spaces fala sobre a fase pré-adolescente, onde nossos desejos sexuais começam a aflorar. O espaço vazio a que se refere o título é a necessidade de se relacionar com o sexo oposto. Estes desejos se aprofundam ainda mais em Young Lust: "preciso de uma mulher safada...". Enquanto a letra da música sugere um "grande interesse" de Floyd por mulheres, no filme ele é o único que não participa da "festinha". Seria só nesta música então que ele conheceria sua mulher, e não em "Mother".
Todo casamento acaba esfriando. É sobre isso que fala a letra de "One of my Turns", o momento onde a rotina toma conta do relacionamento e marido e mulher perdem aquele amor dos primeiros anos. "Com o tempo eu envelheci, você se tornou fria e nada mais tem graça". Seguindo esta linha de raciocínio, pode-se muito bem pensar que a mulher que aparece falando com Floyd no início de "One of my Turns" é a sua esposa, e não uma fã ("Este lugar é maior do que nosso apartamento!").
Bem, seja lá como for, "Don’t Leave me Now" é a hora da traição e, em "Another Brick in the Wall part III", Floyd declara a traição de sua mulher como mais um tijolo no muro, assim como todas as pessoas que o fizeram sofrer: "Vocês não passaram de tijolos no muro".
Agora o muro está completo.
A partir de "Goodbye Cruel World", ocorre uma mudança muito importante no filme: Floyd, dá adeus ao mundo real, e passa a "viver" no mundo que há dentro de seu muro, que, no filme, deixa de ser uma abstração e toma forma "real". O filme entra então numa fase de extremo simbolismo, com cenas mais loucas e de compreensão mais difícil. A história se desenrola em duas linhas: a da vida real e a das viagens dentro do muro.
Durante "Is There Anybody Out There", "Nobody Home" e "Vera", Floyd fica vagando pelo mundo de dentro do muro. Essa "viagem" representa um período de reflexão, sobre todos os motivos que deram origem a cada tijolo. O menino Pink acaba encontrando seu pai morto na trincheira; e a si próprio, na idade adulta, no canto de um sanatório abandonado. Vai à estação ferroviária esperar o trem que trouxe os sobreviventes da guerra, e não encontra o seu pai. "Alguém aqui se sente como eu?".
Enquanto isso, na vida real, ele acaba com todos os pêlos de seu corpo, inclusive as sobrancelhas ! Um momento de extrema loucura"
Na verdade tudo começou com "Animals", que era uma espécie de pré-THE WAll, onde Waters, inspiradíssimo no livro de George Orwell "A Revolução dos Bichos" (para mim o melhor livro que ja li) critíca o caráter do ser Humano comparando-o a animais, onde tudo acaba como começa: antes os fazendeiros dominavam seus animais, até estes decretarem uma revolução contra seus donos, expulsando-os. Eles abominavam qualquer tipo de atitude semelhante a um humano, lembrem-se "quatro patas bom, dois pés ruins". Depois de muito tempo, a ganância e o poder sobem às cabeças de seus líderes(os Porcos) que no final acabam agindo igualmente aos seus ex-donos Humanos e começam a se vestir com roupas e andar como Bípedes e no final se torna "quatro patas bom, duas melhor ainda". Então Waters radicalmente desenvolveu sua crítica criando The Wall.
Uma parte da idéia surgiu num desastroso show da turnê In The Flesh de 1977 onde Waters cuspiu na cara de um freqüentador da platéia que invadira o palco. Isso se tornaria um dos temas do álbum. O desastre do show de 77 acabou virando inspiração para a monumental turnê de The Wall que aconteceria nos anos de 80/81. O primeiro show foi marcado por um incêndio logo no inicio quando uma das cortinas acabou pegando fogo devido aos fogos de artifício que eram lançados.
No ano de 82 o tema de The Wall ganha um filme com direção de Alan Parker e o ator Bob Geldof no papel principal. Embora o filme tenha ganhado um bom reconhecimento da mídia, Waters não ficou satisfeito com o resultado final.
THE WALL significa "o muro" em português. Este muro é algo abstrato, um sentimento de angústia que prende nossos corações e nos isola do mundo, nos dando a impressão de que não existe saída para nossos problemas.
Marcado pelas letras amargas compostas por Waters, o disco tem uma qualidade sonora marcante, com destaque para a atuação de Gilmour na guitarra. Está repleto de ruídos, gritos, vozes, mensagens ocultas, diálogos, faz a alegria daqueles que procuram os mínimos detalhes.
O grupo começou a se dissolver com as diferenças que surgiram entre Waters e Wright, causadas pelo início da paranóia de Waters e pelo consumo de cocaina de Wright. Wright acabou deixando o grupo, tocando como músico contratado durante os shows.
"As gravações foram muito tensas, principalmente porque Roger estava começando a ficar um pouco doido. Já estava tudo gravado quando ele brigou com Rick. Rick tem um estilo próprio, muito específico para o piano e ele não estava conseguindo compor nem adaptar com facilidade. Isto é um grande problema quando as outras pessoas estão discutindo quem fez o que e quem leva os créditos. Roger e Dave estavam trabalhando como uma dupla, colocando-me de lado. Houve momentos em The Wall em que os dois fizeram tudo. Rick estava incapacitado e eu não podia fazer nada para ajuda-los." Nick Mason (baterista)
"Nós tinhamos um estúdio no sul da França, onde Wright ficava hospedado. Os outros alugaram casas a cerca de 20 milhas de distância. Íamos para nossas casas de noite e dizíamos a Rick 'Faça o que quiser, aqui estão as trilhas, escreva algo, inclua um solo, faça algo. Você tem todo o tempo do mundo para fazer isto.'. Durante todo o tempo em que estivemos lá, e foram vários meses, ele não fez nada. Ele não era capaz de tocar nada!" David Gilmour(guitarrista)
"Roger nos apresentou o álbum em um demo, e todos sentimos que era potencialmente muito bom, mas musicalmente fraco, muito fraco. Bob Ezrin, Dave e eu trabalhamos nele para torná-lo mais interessante. Mas Roger e seu grande ego daqueles dias ficavam dizendo que eu não estava me dedicando o bastante, apesar de não me deixar fazer nada. A crise veio quando nós todos saímos de férias depois do fim das gravações. Uma semana antes das férias terminarem recebi uma ligação de Roger, que estava na América, convocando uma reunião do grupo imediatamente, onde disse que queria que eu abandonasse a banda. A princípio recusei. Então Roger disse que se eu não saisse após o lançamento do álbum ele abandonaria o grupo naquele instante e levaria as gravações com ele. Não haveria álbum nem dinheiro para pagar nossas enormes contas. Tive que aceitar, tinha duas crianças para criar. Foi terrível. Agora eu sei que errei, era um blefe de Roger. Mas eu realmente não quero mais trabalhar com esse cara nunca mais." Richard Wright (tecladista)
Ironicamente ele foi o único a ganhar dinheiro, já que o custo dos shows era tão elevado que o grupo simplesmente levou prejuizo. Wright, como contratado, recebeu seu salário e saiu limpinho.
Foi um verdadeiro sucesso comercial, permaneceu no topo das paradas americanas por 15 semanas e levou o disco de platina em março de 1982 por ter vendido um milhão de cópias.
Realmente, Waters fez de tudo para demonstrar que todos os acontecimentos ruins da vida do personagem da história (ele adotou o nome Pink Floyd para ele, lembram?) não foram provocados, mas eram inevitáveis. Coisas que acontecem e existem, e que não se podem mudar.
Embora no álbum a idéia que se passa não seja essa, no filme, toda a história se desenvolve em um devaneio do "Sr. Floyd", sentado em seu quarto e olhando fixamente para a porta. Sonho esse formado por lembranças de sua vida (péssimas, por sinal).
Em "In the Flesh?", nosso herói (interpretado no filme por Bob Geldof) nos convida a descobrir o que há por trás daquele olhar frio e do seu disfarce "nazista". E, nessa mesma música, Floyd relembra a primeira desgraça inevitável de sua vida: a morte de seu pai na 2ª guerra mundial (o pai de Waters realmente morreu nesta guerra) ainda na sua infância, pelo avião que aparece no filme e na música.
Guerra é o primeiro absurdo do mundo retratado na obra, e influenciará a personalidade do menino Pink para o resto de sua vida. "When the Tigers Broke Free", "The Thin Ice" e "Goodbye Blue Sky" são as músicas que introduzem, junto com "In the Flesh?", o tema guerra na história.
Aliás, em "Goodbye Blue Sky", pode-se notar uma severa crítica ao Governo, mais especificamente o da Inglaterra. No filme, a bandeira inglesa se transforma em uma cruz fincada no chão e sangrando, significando que por trás do ideal de defender a bandeira se esconde a morte. "Foi assim que o Alto Comando tirou meu pai de mim", diz a letra de "When the Tigers Broke Free".
Outra influência que a morte de seu pai trouxe foi a própria ausência deste no desenvolvimento de Pink. Isso é mostrado na cena em que ele está no parque, sozinho, e encontra um senhor que lhe parecia simpático. Pede a ele para que o ponha em cima do brinquedo. Porém, quando Pink pensou que havia encontrado um pai, o homem rejeita sua mão e empurra-o para longe. Triste, o menino senta no balanço, sozinho, e observa as outras crianças felizes, brincando com seus pais.
E o muro ganha sua pedra fundamental, seu primeiro tijolo. Afinal de contas, a morte do pai na guerra foi para Floyd apenas um tijolo no muro, como diz a música "Another Brick in the Wall part I".
"The Happiest Days of Our Lives" e a clássica "Another Brick in the Wall part II" (quem não conhece "aquela do Hey Teacher!"?), põem em discussão outro alicerce de nossa sociedade: a educação. Roger Waters define a educação como uma alienação (representada no filme pelas máscaras com botões no rosto das crianças), fazendo com que as pessoas, ainda crianças, percam sua identidade própria e pensem o que o Governo quer que elas pensem. O sarcasmo e a violência com que os professores tratam os alunos (segundo Waters) na sala de aula são atribuídos aos problemas que eles (professores) enfrentam em casa com suas "esposas psicopatas e gordas". No filme, o pequeno Pink sonha em ver todos os alunos destruindo a sala, queimando a escola e jogando o professor no fogo, enquanto Gilmour toca seu solo de guitarra. Destruir a escola é uma atitude própria de quem não foi alienado pela educação, e por isso é contra ela.
Cabe aqui uma observação: muitos de nós, fãs do Pink Floyd não damos o devido valor à música "Another Brick in the Wall part II", um verdadeiro clássico do rock mundial. Porém, nunca devemos esquecer que é esta a música mais famosa de nossa banda. Além do mais, que outro grupo de rock teve a coragem de colocar as próprias crianças cantando contra a educação? É exatamente esta ousadia que faz desta música uma das maiores e mais conhecidas do mundo. "Another Brick in the Wall part II" acabou se tornando um símbolo da revolta. Não da revolta pura e simples, sem motivo; mas da revolta consciente, de pessoas que não se acomodam com o que vêem de errado e precisam se manifestar.
"Muitos de nós, floydianos, somos fãs do Pink Floyd por causa da voz suave de Roger Waters, dos ótimos solos de guitarra de David Gilmour, do estilo "dó-ré-mi" de Nick Mason ou dos lindos acordes de Richard Wright. Admiramos os shows, as letras simbólicas e progressivas, a incrível capacidade de demonstrar sentimentos pela música, e muitas outras qualidades mais.
Porém, existe uma característica no Pink Floyd ue poucas bandas possuem, e que atrai milhões de fãs em todo o mundo: a possibilidade de se envolver com as letras.
E, com certeza, o álbum THE WALL (e o filme) é o que mais tem essa capacidade de entrar em nossos corações. Podem chamar isso de alienação, mas, confesso que se eu não pudesse desabafar às vezes ouvindo aquele solo de guitarra em Comfortably Numb no último volume, já teria encontrado alguma outra forma menos sadia de acabar, ou pelo menos de me aliviar das preocupações (drogas, por exemplo).
Alguns podem achar exagero, outros sabem muito bem do que falo, porque também o fazem. E eu digo para vocês: se você não entrar na história, não se envolver, o álbum THE WALL será sempre um simples CD (ou vinil) duplo da capa branca, com "azulejos" e monstrinhos desenhados e que tem aquela música do "Hey teacher!". Porém, se você assistir o filme, deixar as músicas entrarem em seu coração, e passar a enxergar o muro que envolve a cada um de nós, verá que THE WALL retrata as nossas próprias vidas, nosso sofrimento de pessoas inteligentes que se importam e sofrem com o mundo que está aí.
Afinal de contas, aquele filme não é simplesmente uma história baseada na vida de Roger Waters, pois, se você prestar bastante atenção, descobrirá que essa "autobiografia incrementada" é apenas um pretexto para Waters e, por que não, Gilmour e Ezrin, apontarem tudo o que há de absurdo neste mundo louco em que vivemos.
SOBRE A INTERPRETAÇÃO
Este texto não tem a pretensão de descrever tudo o que Roger Waters quis expressar com o álbum e com o filme, pois talvez nem ele próprio tenha idéia da dimensão que sua obra tomou e das inúmeras interpretações que podem surgir sobre a obra THE WALL em si. É apenas uma tentativa de um fã de expor suas idéias, e fazer com que as pessoas que gostam do Floyd, mas ainda não compreenderam THE WALL, tenham uma idéia próxima do que ele significa.
Eu não posso dizer que tudo o que está aqui seja verdade, como ninguém poderá dizer que estou mentindo; pois esta é apenas uma interpretação pessoal de uma obra muito complexa e abstrata, apesar de realista."THE WALL foi um álbum incompreendido" Richard Wright
Eu era um bagaço no dia 29/09. Apenas três dias após o show do Metallica, e de ver toda aquela Esculhambação in Rio no domingo anterior, estava desanimado. Torci pra alguém me perguntar se eu tinha ingresso. A Cidade do Rock, tão cantada em verso e prosa, fica no final do mundo. Lugar ruim, mal iluminado, onde muitos foram assaltados nos arredores.... filas quilométricas pra fazer qualquer coisa lá dentro.....banheiros inundados de urina, isso culpa dos Porcalhões in Rio. Pqp, que roubada eu encarara pra ver o Metallica.
Então, desprovido de qualquer senso crítico e orgulho próprio me dispus a sofre mais um pouco, um espécie de autoflagelação, tudo isso para ver a MÚSICA. Sim, Stevie Wonder é a música. Desde minha infância de alguma forma o som deste mestre permeou minha vida. Como pode ser visto abaixo, ainda criança ou vi "Ebony and Ivory". Quem não se lembra dele em "We are the world"? O cara desde 12 anos está no mundo fazendo sucesso, tudo isso com uma dignidade enorme, sempre com qualidade. Seja no início mais soul, depois com seus excelentes trabalhos quando saiu da Motown, nos namoros com a dance music. Ele é o cara. Multiinstrumentista, excepcional cantor e um tremendo hitmaker.
O show foi de uma singeleza e beleza absurdas. Estava pensando que não era exatamente algo aderente a um festival, tem mais a cara de uma arena, ou uma casa de shows. Nada disso. O negão entrou no palco já com sua excelente banda arrepiando e swingando geral. Botou a platéia no bolso. Mesmo toda aquela garotada que não deve saber muito bem a diferença dele pro Ray Charles (vale lembrar que pouco antes tocara Kesha) ajoelhou e rezou, agradecendo aos deuses da música por ter a oportunidade de ouvir e ver Stevie Wonder.
Ele entrou no palco andando devagar, com aquela roupa de pai-de-santo (sorry, Stevie) e tocando seu keyguitar (tradução: teclado portátil, vide foto acima). Cantou, daqui a pouco deitou e ficou lá tocando, deitadão, como se fizesse amor com o instrumento. Eu pensei: o negão ficou doido!rsrs Ele estava como pinto no lixo. Fora a música transbordando por todos os poros, ele passava uma alegria enorme. Toda hora chamava a galera pra cantar, bater palmas, como se fosse possível a gente acompanhar este monstro. mas a gente tenta. A festa é grande.
Stevie Wonder mandou todos os clássicos e deixou em êxtase o povo presente. Dei uma moral enorme para Janelle Monáe, cantando "Superstition", e botando ela sentada ao lado dele ao piano. Terminou o show agradecendo o público de braços dados com ela de um lado pro outro do palco. Que responsa, hein, Janelle? A filha de Stevie, que é backing vocal na banda, deve ter ficado enciumada.
Valeu muito a pena, pois não dá pra perder a oportunidade de assistir um gênio da música. Pode ser sempre a última vez de ver o artista, e aí a gente não vive aquela emoção, que somente estando presente num show se consegue ter. Gosto do texto recente que a Martha Medeiros fez sobre sua experiência no primeiro Rock in Rio, de lá tirei a parte abaixo no qual muito bem define o sentimento de ir a um show:
“Poucas coisas são tão vibrantes quanto um show. Eu começo a transcender antes mesmo de atravessar os portões. Curto a aproximação coletiva, aquele povo se dirigindo para o mesmo lugar e com o mesmo propósito, como se estivesse peregrinando até uma igreja em busca de comunhão. Apagam-se as luzes. Expectativa, ansiedade.Então surgem no palco os donos da noite. Ao soar o primeiro acorde, viramos todos evangélicos, budistas, espiritualistas do rock.
Show é consagração. Os aplausos são mesuras e o assovio é o código sonoro da reverência. O público faz parte de um só corpo e de um só sangue.”
Eu voltei, agora pra ficar, por que aqui, aqui é meu lugar.......
Alô, galera!!!! Voltei!!! Depois de mais de SEIS meses perturbando o UOL e BOL para ter mais espaço, consegui voltar a blogar. YES!!! Assim como a fênix, ressurgi das cinzas. Saudades de falar para todos, ou para ninguém, pouco importa. Escrever é necessidade básica, uma forma importante de expressão da vida. Estava fazendo falta e certamente reduzirá minha ansiedade - talvez aumente a dos outros, sabe lá.
Curiosidade: mesmo sem atualizar este tempão, o Blog teve mais de 1.300 acessos. Valeu!!!
Falar o que mais sobre Paul McCartney? Talvez o que cada um pode contar de único é a participação da música dele na trilha sonora da sua vida. Minha lembrança mais remota de Paul é de 1982. Claro que antes já conhecia Beatles, John já tinha morrido, mas eu não imaginava que Paul ia estar comigo na sala de aula em pleno colégio de freiras. Pois é. Até na caretice, em plena ditadura militar, as freiras tiveram de se render à música.
Na aula de inglês o professor, ou professora, não lembro, levou para a sala o compacto (!!!!) de "Ebony and Ivory", que reunia nada mais nada menos que dois gênios da música mundial no século 20: Paul McCartney e Stevie Wonder. Aquela suave música, que parece bobinha, com letra simples e melodia grudenta, no fundo dizia muita coisa para todos.
A ideía era fazer uma analogia entre a harmonia que existe entre o branco e preto nas teclas do piano, que vivem em perfeita harmonia, e se era possível a sua convivência, por que não conosco? Afinal, as pessoas são as mesmas em todos os lugares, o bem e o mal está em todo mundo, mas devemos (sobre)viver juntos.
Esta é a grande arte do Paul, fazer música com melodia simples e direta, com a qualidade básica típica do rock, com uma letra para envolver tudo. A gente ouve e nunca mais esquece, pois aquilo tocou nosso coração. Mesmo que você não entenda uma palavra em inglês vai gostar. Pura magia.
No vídeo abaixo tem uma apresentação de McCartney e Wonder na Casa Branca ano passado, com Mr. Obama na primeira fila. No final da música Stevie improvisa e manda: "We love you, Paul!!!". É isso aí.
Dia 22 de maio a gente se vê lá no engenhão, Paul. Obrigado pelo presente de aniversário.